terça-feira, 9 de julho de 2013

Tapete Daghestan

A região de Daghestan faz parte da República Socialista Federativa Russa. Embora muitos tapetes sejam mencionados como daghestanos, o único tipo específico que deveria levar tal nome é o característico daghestano para orar.

Em tais tapetes, o arco do mihrab sempre possui seis lados, com o campo quase sempre coberto por um padrão de treliça em losangos, no qual estão dispostas pequenas flores policromáticas, de forma geométrica. Em geral, o campo é na cor marfim.

Até onde se pode estabelecer, nenhuma peça do Daghestan foi produzida desde o início 
da Segunda Guerra Mundial. Embora não sejam de qualidade notável, ainda assim possuem considerável beleza e são colecionados com entusiasmo.



Tapete Chi-Chi

Estas peças são produzidas por uma tribo chamada Tchechen, nome pelo qual são frequentemente conhecidas, que habita as montanhas a Noroeste do Daghestã. Em geral, os tapetes Chi-Chi sempre têm mais de cinquenta anos, são raros e extremamente populares entre colecionadores. Possuem seu próprio desenho distintivo.

O campo, sempre em azul-escuro ou vermelho-púrpura, é tecido em um minúsculo padrão de mosaico que o cobre inteiramente, sobre o qual há fileiras de pequeninos octógonos, de novo compondo mosaicos. Pelo menos uma das bordas sempre tem fileiras de flores com oito pétalas, costumeiramente tecidas entre as listras de um meandro grego.





quinta-feira, 4 de julho de 2013

Tapete Baku

Estes tapetes levam o nome da cidade de Baku, um porto marítimo do Mar Cáspio, atualmente no Estado Soviético do Azerbeidjã. 

É através deste porto que são comercializados os tapetes produzidos na cidade em si, e nas cercanias imediatas. Quase todas estas peças têm mais de 50 anos, e podem ser identificadas por seu padrão distintivo. 

Esse padrão identificatório, consiste de um campo de grandes motivos retilíneos de pera que, no caso deste tipo particular de tapete, mostra uma maior semelhança com cones de pinheiro do que com peras. 

São tecidos em fileiras, sobre um campo onde também podem surgir vários medalhões octogonais. Invariavelmente, a cor do campo é azul-escuro, ao passo que as peras costumam ser tecidas em matizes de creme, marfim e amarelo.







Tapeçaria Caucasiana

Entre o Mar Negro a Oeste, e o Cáspio a Leste, encontram-se vários estados soviéticos, entre os quais os mais importantes são a Geórgia, a Armênia, o Azerbaijão e a República Socialista Federativa Russa. Estes estados compõem a região em que é produzida a maioria dos tapetes caucasianos.


São habitados por muitos povos e tribos diferentes, neles existindo duas religiões principais: o Cristianismo e o Islamismo. Até o século XIX, o Cáucaso fez parte da Pérsia, que o cedeu à Rússia Imperial. Em resultado desta vasta mistura de povos, que também andaram pela Turquia e Pérsia, os tapetes caucasianos têm sido fonte de conclusão, inclusive para os peritos.

Não obstante, se nos ativermos a classificações há muito estabelecidas, conseguiremos diferenciar alguns dos mais conhecidos e característicos tapetes caucasianos.
Entre os nomes que, em algum período, foram selecionados para descrever essas peças, listamos onze dos mais empregados:

  1. Baku
  2. Chi-Chi
  3. Daghestã
  4. Derbend
  5. Erivan
  6. Kadistã
  7. Karabagh
  8. Kazak
  9. Kuba
  10. Shirvan
  11. Soumak 
Podemos afirmar que um tapete caucasiano conhecido por qualquer outro nome, terminará sendo uma variação particular de alguns dos mencionados acima, ao qual foi atribuído um nome comercial. Deve-se apenas acrescentar, que a palavra armênio costuma ser muito empregada em livros antigos, de certo modo equivocada, como sinônimo para caucasiano.







quarta-feira, 19 de junho de 2013

Tapete Yuruk

Yuruk significa montanhês. Esses tapetes são tecidos por tribos curdas e nômades das montanhas no Leste da Turquia, as mesmas que povoam o Noroeste da Pérsia e o Cáucaso. As peças são caucasianas em características, usando motivos bastante típicos, como suásticas e trincos-em-gancho. 

O campo principal é geralmente tecido com três medalhões losangulares, unidos ou separados, tendo as cores quase sempre em intensos castanhos-avermelhados, azuis e púrpuras. As peças Yuruk também costumam conter mais verde do que a maioria dos tapetes turcos, estes, em geral, apresentando matizes algo insípidos. Antes de passarmos à conclusão, gostaríamos de descrever um outro tipo de tapete turco muito especial, detalhadamente discutido por Jack Franses em seu livro European and Oriental Rugs (Tapetes europeus e orientais). 

Trata-se do Koum Ka Pour (significando passagem-para-areias), um tipo que foi tecido durante um período de apenas vinte anos aproximadamente, entre cerca de 1890 e 1910, em um subúrbio de Istambul. Tais peças eram confeccionadas pelo mestre-tecelão turco Kanata, sob patrocínio real, e apresentavam características florais persas. São distinguíveis pelo emprego de fios de ouro e prata, os quais eram tecidos em decorativos padrões florais de várias cores.

Ostentando uma beleza e raridade excepcionais, esses tapetes, ao contrário de quaisquer outros tecidos na Turquia, conquistaram um lugar na história da arte tapeceira, comparável ao de Fabergé, o ourives russo de fins do século XIX, no campo das artes aplicadas. 




Tapete Smyrna ou Esmirna

Smyrna ou Esmirna, hoje chamada Izmir, durante séculos foi um dos principais portos marítimos da Turquia, não foi uma cidade produtora de tapetes, mas antes um ponto de mercado para as peças tecidas nas cidades e aldeias vizinhas.

Trata-se, portanto, de uma denominação ilusória, só incluída aqui, por ser fartamente citada na literatura tapeceira, bem como em leilões e catálogos de vendedores. O nome é comumente usado como termo genérico para tapetes Ghiordes e Oushak do século XX, denotando peças modernas e de qualidade inferior. 

Também é muito empregado para referir-se a tapetes de aparência persa, embora confeccionados em Sivas e Sparta. O desenho mais típico para um tapete, é o campo hexagonal alongado, cujas margens internas são debruadas com pequenos ramos de flores trifólias.



Tapete Kulah

Os tapetes de Kulah apresentam grande similaridade com os produzidos na cidade de Ghiordes. Como as peças de Ghiordes, as de Kulah geralmente são tapetes para orar e, quando antigos, classificam-se entre os tapetes turcos mais admirados. 

A principal diferença entre um tapete para orar tecido em Ghiordes, e outro tecido em Kulah, é que este último usualmente apresenta uma única barra transversa, localizada acima do nicho. E esse nicho, em si, não alcança a barra transversa, como nas peças Ghiordes, subindo apenas cerca de dois terços no campo. 

Um desenho interessante, peculiar ao Kulah, é o tapete para orar com um mihrab de dupla terminação, conhecido como um "Kourmur Jur Kulah". O desenho é assim tecido, não para dar uma representação arquitetônica aproximada, mas meramente delineada em branco, sobre um fundo em  padrão geométrico. 

De fato, estes tapetes nivelaram-se aos mais finamente tecidos na Turquia e, com seus medalhões em arabesco, apresentam certa semelhança com os Oushak.



quarta-feira, 15 de maio de 2013

Tapete Konya

Konya, com frequência escrito Konieh, é a antiga cidade de Iconium, e fica a cerca de 240 Km ao Sul de Ankara. 

Seus tapetes costumam empregar suaves e harmoniosos tons, como castanhos e cremes, de efeito muito bem equilibrado.São normalmente tecidos sob a forma de tapetes para orar, com uma seleção de motivos abstratos desconexos, no interior do mihrab

As peças seculares frequentemente apresentam um duplo medalhão vergôntea, composto por dois octógonos. De modo geral, seus desenhos são rudes e tecidos sem capricho.




Tapete Kirsehir

Estes tapetes são produzidos na cidade do mesmo nome, localizada a 160 Km a Sudeste de Ankara. 

São confeccionados sempre sob a forma de tapete para orar, sendo empregada em grande quantidade uma característica tonalidade em vivo verde-grama.

Também sempre apresentam o motivo floral de três gomos nas bordas. São notados por seu forte, mas perfeitamente equilibrado uso da cor.







Tapete Hereke

Hereke é uma cidade ao Noroeste da Turquia, às margens do Mar de Mármara. O sultão da Turquia estabeleceu uma manufatura e a subsidiou. Os tapetes de Hereke, possuem poucas características turcas, pelo simples motivo de que todos os tecelões foram importados de Kirman, na Pérsia. Sua única concessão ao país foi o emprego do nó turco.


Os desenhos empregados seguem de perto os das peças de Kirman, com padrões florais naturalistas cobrindo toda a superfície, como o motivo Xá Abbas, ao passo que animais (raramente encontrados em teceduras turcas) aparecem com frequencia nestas peças. Elas também se igualam às Kirman antigas, quanto ao uso de suaves tons pastel.

Os tapetes Hereke confeccionados em seda, talvez sejam os mais finos já tecidos, com o emprego regular de fios dourados e prateados. A alta qualidade dos Hereke antigos, que são extremamente valiosos, é a mais clara evidência de que foram tecidos nos teares das oficinas reais.





Tapete Ghiordes

A cidade de Ghiordes deu seu nome ao nó turco. Os tapetes que produz são classificados entre os maiores de teceduras turcas. É uma justiça poética, o fato de o nó turco ser chamado Ghiordes, uma vez esta é a antiga cidade de Gordium, que emprestou seu nome ao nó Górdio, cortado por Alexandre, o Grande.

As peças de Ghiordes são divididas em 3 espécies:
  1. Tapetes Antigos
  2. Tapetes para Orar
  3. Tapetes Modernos
Colocamos os últimos em primeiro lugar, dizemos que os Ghiordes modernos não têm qualquer semelhança com peças antigas, seja em desenho ou qualidade. São bem inferiores e usam motivos persas. Os livros mais recentes sobre tapetes mostram uma surpreendente unanimidade, seja em ignorá-los por completo ou em rejeitá-los.

O primeiro ponto a ser dito sobre os tapetes antigos, é que estão entre os únicos tapetes turcos seculares que possuem proporções consideráveis de verde. Em geral, as peças seculares apresentam padrões geométricos cobrindo toda a superfície, sobre um campo marfim ou magenta.

As peças Ghiordes para orar, situam-se entre as mais finas de sua espécie, tecidas em qualquer parte do mundo. As peças seculares, no entanto, não tendem a essa excelência, embora dificilmente mereçam a severidade de C.W. Jacobsen, quanto a figurarem em último lugar entre os tapetes turcos antigos.

Os tapetes Ghiordes para orar, contam-se entre os mais procurados de todas as peças orientais, sendo distintivos em seus motivos tecidos.  Quase sempre apresentam três amplas margens de padrões geométricos diferentes, entre as quais há três tiras muito estreitas. No centro do tapete situa-se o mihrab ou nicho, com uma lâmpada pendendo do arco, em muitos exemplares. Os dois painéis, a cada extremidade final do nicho, são preenchidos de motivos geométricos, como o são as áreas dentro do quadrado central, em ambos os lados do V invertido, em forma de arco. 

Geralmente, as cores são vívidas e variadas. Os exemplares tecidos no final do século XVII, no entanto, tendem a apresentar motivos diferentes.



 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Tapete Dimirdji

A cidade de Dimirdji fica a meio caminho entre Ghiordes e Oushak. Que se saiba, nenhum tapete foi tecido ali, nos últimos 50 anos, pelo menos. 

Os tapetes de Dimirdji invariavelmente apresentam um distintivo centro-hexagonal com fundo vermelho, sendo os quatro cantos do campo geralmente tecidos em verde e as margens predominantemente amarelas. São peças de considerável raridade.

 














Tapete Bergama

Bergama é uma pequena cidade localizada a 96km ao Norte de Izmir, edificada sobre a localização da antiga Pergamum. Seus tapetes têm cores fortes e encorpadas, sendo um tanto raros no mercado hoje em dia. 

Costumam apresentar um medalhão central geométrico, sendo similares às peças de Ladik. Também mostram certa similaridade com os tapetes Kazak, do Cáucaso. 

Na década de 20, um tapete inferior, tecido na Grécia e na Turquia, foi comercialização como Pergamo, porém eles não eram produzidos na cidade do mesmo nome e nem possuíam qualquer qualidade.




Tapete Anatolia

Anatolia é sinônimo para aquela parte da Turquia que fica na Ásia, conhecida tradicionalmente como Ásia Menor. Assim, os tapetes anatolianos são turcos, uma definição não muito proveitosa. 

De qualquer modo, o termo é hoje usado geralmente para tapetes de nítida procedência turca, mas aos quais não pode ser atribuído qualquer nome específico do lugar de origem ou do fabricante. 

Este nome é também aplicado com frequência a modernos tapetes turcos, tecidos em desenhos florais persas.






Tapete Ak Hisser

Estes tapetes levam o nome da cidade que fica a cerca de 96km a Noroeste de Izmir. Apresentam grandes medalhões e motivos geométricos, similares aos que aparecem nas peças Oushak e Ghiordes. 

Entretanto, nenhum tapete que possa ser definitivamente atribuído a esta cidade, foi produzido nos últimos mais ou menos cinquenta anos. Aliás, parece haver uma considerável controvérsia sobre a legítima aparência dos tapetes Ak Hisser. 

Trata-se de um nome que tem sido regularmente usado para peças que bem podem ser originárias de Oushak, Ghiordes ou mesmo Kirshehir.






Tecelagem Turca

A arte da tecelagem de tapetes tem tido, na Turquia, provavelmente a mesma duraçãoque na Pérsia. Aliás, não se falando no tapete russo de Pazyryk (o mais antigo que conhecemos), o tapete do "Dragão e a Fênix", existente em Berlim, pode ter sido tecido na Turquia.

Durante os séculos XVI e XVII, tapetes originários da Turquia faziam aparição constante em pinturas de artistas famosos. De fato, foram tão aproveitados por Holbein (como em sua famosa tela Os Embaixadores, na National Galery, Londres), que tais peças, talvez tecidas em Oushak, passaram a ser conhecidas como tapetes de Holbein. Nas telas flamengas do século XV, incluindo-se vários quadros de Jan Van Eyck, também surge a presença dos tapetes turcos, sendo eles ainda representados em muitos quadros italianos e, significativamente, com frequência em retratos executados por venezianos. Veneza foi o mais movimentado porto comercial da Europa e, conforme podemos presumir, o grande número de tapetes turcos em lares da opulenta classe dos mercadores venezianos, sem dúvida nenhuma devia provir de seu comércio com o Oriente.

Sabe-se, por exemplo, que o Cardeal Wolsey, presidente da Cãmara dos Pares da Inglaterra, adquiriu a um mercador veneziano sessenta tapetes turcos, para seu palácio em Hampton Court. Sua Eminência referia-se a esses tapetes como "damascenos", uma vez que a riqueza dos motivos assemelhava-se ao artesanato damasceno, a arte oriental de incrustar ouro, prata e cobre em latão. Na primeira metade do século XVI, quando foram pintados os retratos de Holbein, a Turquia se tornara o mais poderoso país do Oriente Médio, através da grandeza de seu legendário sultão Solimão, o Magnífico, chamado o Grão-Turco.

Os tapetes turcos possuem certas marcas distintivas:
  1. Sempre empregam o nó turco
  2. Os fios da trama e urdimento de todos os tapetes produzidos antes de 1870, aproximadamente, eram feitos em lã ou pêlo de cabra. A partir de então, é que foi usado o algodão. 
  3. Todos os tapetes turcos apresentam cordéis laterais duplos, tecidos achatadamente, em lã ou algodão; somente dois tipos persas, o Tabriz e o Heriz, têm essa mesma confecção.
Os tapetes turcos antigos raramente mostram criaturas vivas, humanas ou animais, em sua tecedura, como resultado de pressões religiosas contra imagens figurativas.
No século atual, contudo, tal rigidez foi relaxada ou ignorada e, além disso, a sagrada cor verde é hoje razoavelmente empregada na maioria dos tipos de tapetes. Finalmente, as peças turcas de grande tamanho, tendem a ter sido produzidas nos últimos sessenta ou setenta anos.

Existem cerca de trinta variedades diferentes de tapetes turcos. A lista abaixo comporta dezoito das mais importantes, em uma seleção como a feita para os tapetes persas, que examinaremos individualmente:
  1. Ak Hisser
  2. Anatolia
  3. Bergama
  4. Dimirdji
  5. Ghiordes
  6. Hereke
  7. Kirshehir
  8. Konya
  9. Kulah
  10. Ladik
  11. Makri
  12. Melas
  13. Mudjur
  14. Oushak
  15. Sivas
  16. Smyrna
  17. Sparta
  18. Yuruk
Em sua maioria, os demais tipos de tapetes turcos são versões dos citados acima, de maneira que apenas um perito pode diferenciá-los. Durante o século XVII, belos tapetes florais, muito semelhantes aos persas, foram tecidos na Turquia, provavelmente nos teares reais, em Istambul.






sábado, 13 de abril de 2013

Diferenças de Estilos de Tapetes

As localizações geográficas da Pérsia denotam fortes diferenças de estilo entre os vários tipos de tapetes produzidos.

As tribos curdas nômades dominam a região Oeste, misturadas a armênios provenientes do Cáucaso. Tribos nômades da Turquia também há séculos têm cruzado a fronteira turco-persa. Em livros antigos, a região Noroeste da Pérsia era costumeiramente mencionada como Kurdistan, um nome que era empregado com frequência para referir-se a todos os tapetes confeccionados nesta área em particular.

As características mais óbvias dos tapetes persas, o nó persa e os motivos florais de ornato, geralmente estão ausentes nas teceduras produzidas nesta parte do país, onde se costuma empregar o nó turco, e os desenhos apresentam uma vigorosa geometricidade que constitui o traço principal dos produtos turcos e caucasianos. Como ocorre nas outras três regiões do país, existe na parte Oeste da Pérsia uma cidade que, em si, é o centro e ponto focal da indústria tapeceira - Heriz - a qual substitui o nome Kurdistan para descrever o tipo geral dos tapetes ali tecidos. Nesta área predominantemente curda, com seu tipo de tapete não-persa, situa-se a cidade curda de Sehna, a qual não apenas forneceu seu nome ao nó persa, como também produziu tapetes que, estilisticamente, nada têm de curdos, sendo legítimos persas.

A região Leste do país é, ironicamente, dominada pela cidade afegã de Herat, embora esta tenha outrora feito parte da Pérsia. Esta não é uma grande região tapeceira, e o desenho principal de seus tapetes - uma superfície tomada pelo motivo pera - é a mais comum característica identificatória, embora estes não sejam os únicos tipos de peças persas a empregarem tal desenho.

A Pérsia Central, maior e mais prolífica região é denominada pelos dois centros de Kashan e Sultanabad que, como Heriz na região Oeste da Pérsia, são os pontos principais de mercado. Em geral, os tapetes ali tecidos tendem a ser os mais característicos de todas as teceduras persas; quando pensamos nas palavras "tapete persa", o que nos salta à mente - um enorme tapete, ricamente tecido em flores multicoloridas, muitas vezes com um medalhão central - é quase sempre um retrato de íntima semelhança com uma peça de Isfahan ou Kashan. O nó persa é o mais empregado nessa região e ali produzida a maioria das grandes obras-primas da tecedura persa.

Os tapetes tecidos ao Sul, têm como centros de mercado as duas grandes cidades de Kirman e Shiraz. Como ocorre com os tapetes do Leste, o desenho mais popular no Sul tende a ser o motivo pera ocupando toda a superfície, porém as peças do Sul são criações muito mais finas e muito mais valiosas. Os motivos dos tapetes tecidos sob a égide de Kirman, em geral são mais florais do que os produzidos perto de Shiraz, estes possuindo uma certa qualidade geométrica. Deve-se registrar que a área de Kirman é, de longe, a maior das duas.





Tapete Shiraz

A cidade de Shiraz é o centro da grande região tapeceira ao Sul da Pérsia, a qual inclui peças tecidas pelas tribos Qashgai e Khamseh, além das confeccionadas nos arredores de Beshir e do Lago Niris. Entre os nomes individuais, atribuídos aos tapetes da área de Shiraz, além do próprio Shiraz, temos também Niris, Faristan, Gashgai, Nifliz e Afshar. Shiraz é capital da Província de Faristan (ou Fars), sendo o local d comercialização para todos os tapetes tecidos na região, com exceção dos Afshar, que são comercializados na cidade de Kirman.

Os tapetes Shiraz antigos, usavam uma lã melhor do que quase todos os demais tapetes persas. Os tecidos hoje, continuam empregando a lã para os fios da trama e urdimento. Era frequentemente usado o motivo pera, bem como medalhões vergôntea e losangulares, em cujo interior apresentavam aves e animais estilizados. O mais usado é o nó persa, embora seja encontrado ocasinalmente o nó turco, um interessante complemento para uma geometricidade sententrional de alguns motivos Shiraz. Livros antigos costumam mencionar os tapetes para orar, ali tecidos, como Shiraz Meca, uma vez que pareciam ser os preferidos dos peregrinos à Cidade Santa.





quarta-feira, 10 de abril de 2013

Tapete Niris

Estes tapetes são tecidos pelas tribos montanhesas na Província de Loristan. Niris é o nome de um lago salgado da região que é dominada pela grande cidade tapeceira de Shiraz. 

Geralmente é empregado o nó persa, embora às vezes tenha sido usado o nó turco, nas peças mais antigas. Os fios de trama e urdimento são de lã. 

Os tapetes Niris possuem quase sempre uma tecedura mais compacta do que os Shiraz, com desenhos e cores distintivas. O motivo pera, tecido em fileiras e geralmente em verde, apresenta-se sobre campo vermelho-garança. 

Existem aproximadamente cinco tiras nas margens, com frequência tecidas no motivo postede-barbeiro (poste listrado em espiral, nas cores vermelho/azul/branco, à porta de barbearias).

A lã é quase sempre de ótima qualidade, sendo estes tapetes extremamente respeitados pelos colecionadores.





terça-feira, 9 de abril de 2013

Tapete Kirmanshah

Kirmanshah é uma cidade curda no Noroeste da Pérsia, a cerca de 1000 Km de Kirman e a 450 Km ao sul de Tabriz. 

Os tapetes Kirmanshah não possuem qualquer conexão com a remota cidade curda do mesmo nome. Pode ser que "Kirmanshah" fosse, originalmente, uma palavra denotando um tipo superior de Kirman, embora, segundo Lewis, em The Practical Book of Oriental Rugs (Manual sobre tapetes orientais), Kirmanshah fosse um importante centro de caravanas, de onde esses tapetes eram enviados para o Ocidente.
 
Eles são tecidos com o nó persa, tendo a trama e urdimento em algodão (nenhuma destas características sendo curdas) e seus desenhos são, geralmente, de intrincados motivos florais.